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15 de junho de 2012

Lara-lá

Eu já vi; ele não é o padrão de ninguém e o juízo dele se vai quando começa a cantar. Eu tô disposta. Um passo pra lá, dois pra cá. Quem não quiser bailar também, que se retire. Deixa o espaço pra nós. Vamos rodar. Eu estive sentada todo esse tempo e agora, olha só, fui tirada pra dançar. Não precisa me ensinar nada; fechando o olho, eu sei tudo!



"eu que tentei tanto te mudar ha-ha/ eu que tentei tanto te mudar ha-ha-ha-ha" (Letuce)

29 de maio de 2012

Estaca zero


Merdas que busco rebuscar,
Palavras que são pra inserir,
que são pra botar.
Venham.
Encontrem seus respectivos lugares,
façam meus zói brilhar.
Aí eu embolo o papel e jogo
no lixo de novo.

Aquarela sinestésica


Meus desejos são verdes,
ardem vermelhos,
de roxos marcam o peito.
Presos.
Nada foi feito,
e nem se pode fazer.
O branco e o preto
é um retrato de você.
O oposto.
O gosto pelo que há por fazer.
Gira amarelo, colore de azul.
Arde, mas arde vermelho.
E mesmo que cinza seja belo,
que não seja.

*O título é de Júlia, minha amiga.

22 de fevereiro de 2012

Era como Cinderela,
mas o seu encanto se esgotava antes do dela.

9 de fevereiro de 2012

26 de janeiro de 2012

Ninho novo

O episódio que passo a narrar iniciou-se por volta dos meus treze anos. Data sugestiva, não é mesmo? Pois bem, foi castigo. Durante tal fase da minha vida, ocupei-me devorando livros de terror e de histórias sobrenaturais. Embora esses livros me deixassem extasiado, sempre fui um homem cético – esta minha falha.  Lia por diversão, pela aura única da coisa, para provar das sensações tenebrosas... E provei, na realidade mais nua e esquisita.
O gênio maligno, ou coisa assim, aproveitou-se enquanto me encontrava sozinho em casa a lavar a louça em pedido de minha solteira mãe. Já havia lavado alguns talheres e é certo que a preguiça me consumia, como também a humilhação... Veja só, um homem lavando pratos! Fazia isso mais para me livrar de um castigo do que por piedade de minha mãe, confesso. Bem, não me livrei do castigo. Continuava reclamando mentalmente, insistindo que homens e mulheres são inteiramente díspares, assim como os são suas obrigações; instante esse em que três serpentes desceram do vão da torneira e num instinto de defesa me apressei abanando os braços feito uma mulherzinha, ia me afastando quando uma delas se enroscou no direito. As outras duas, menores, alcançaram o chão e agora travavam minhas pernas de modo que fiquei imóvel. A maior, a dona do pedaço, envolveu meu pescoço e sufocou-me por alguns poucos segundos, em seguida, sussurrou no meu ouvido: “Ei vo-ssss-cê, lembra-ssss-se da vigésima terceira página? Antepenúltimo parágrafo?”. Com uma dificuldade absurda eu disse algumas palavras que ela entendeu como um “não”. “Não?!” – disse ela, “pois então o façam lembrar”. E as nanicas de baixo apertaram-me as pernas e também o aparelho masculino. Ao afrouxarem, senti como se cordas em chamas tivessem me envolvido da cintura para baixo e eu tivesse sido arrastado. Agora me lembrava nitidamente. A garganta da serpente! Poxa, a grandona tinha dado uma dica... “Vejo que agora tu lembras-sss, mas a questão não é essa. Debochaste-sss de nossa existência e por isso ele permitiu que nos vingássemos.” – disse a 7METROS. As 4METROS adquiriram rostos humanos femininos e subiam pelo meu abdome. “Ele?!” – sussurrei temendo algo ainda pior. “Olha, vamos resolver a parada. Agora já não tenho motivo algum para desacreditar, vocês existem e talvez coisas piores também.”. Engoli a saliva. “Talvez?!”, agora a 7METROS também adquiriu rosto feminino e olhou profundamente para mim como se fosse capaz de sugar minha alma apenas com aquele olhar. Em seguida, ficou apreciando meus lábios e beijou-me! Beijou-me, senhores! E tinha o gosto de tudo o que eu mais amo, tudo o que eu nem sei o que é; era hipnótica. A sua língua bifurcada provocava prazeres nunca antes vistos.
Minha visão tornou-se turva, a vagabunda passou-me algum sonífero ou veneno. Eu tinha certeza de que não acabava ali.  Por favor, eu disse a mim mesmo, que não acabasse ali. Queria mais daquele beijo, porque agora eu acreditava nas minhas três vadias como se eu mesmo fosse uma. Minhas pupilas se retraíram e minha pele tornara-se áspera, será que Ele achava que me tornar cobra era um castigo? Aquela transformação (ou teria sido aquelas visões?) me fez pular de treze para vinte e dois anos em amadurecimento. 7METROS  e as gêmeas 4METROS haviam sumido quando recuperei os sentidos, mas elas estavam em algum lugar da casa, dava para sentir. Rastejei pouco para encontrá-las, não é fácil se esconder quando se tem esse tamanho.Olhando para aqueles seis olhinhos maldosos não resisti, mas eu tinha certeza de que seria perdoado. O gênio maligno que dê seu jeito. Aí lembrei de mamãe. Mamãe perdeu seu filho! O filho dela sumiu no meio das cobras e de tudo se esqueceu.

18 de janeiro de 2012

Fechando umas portas, abrindo outras... Ou deixando todas entreabertas?

Das mais profundas áreas do meu coração, 18 de janeiro de 2012.

Amado Leahpar,

É cedo, mas resolvi levantar já que torturantes lembranças devoram meu sono. A imagem do seu rosto, antes tão viva e fiel, agora já meio vaga e branca parece me atormentar cruelmente. Há duas semanas tem sido assim. Eu tenho visto filmes e saído bastante. Eu me permiti conhecer uns caras, devo lhe dizer; mas não consegui preencher o espaço vazio deixado por ti - o que me doeu ainda mais. Ah, e quanto aos filmes, eu tive a tolice de assistir aos que você havia me recomendado e, ah, como temos coisas em comum... Eles são fantásticos! (não, eles eram de terror, não fantásticos). Olha, desde que resolvi fingir que você não mais existe, tem sido difícil, mas como vê... A sua imagem já está vaga e branca; o que prova que estou conseguindo, não acha? 
Eu - que nunca tive uma excelente forma física, exceto pelas notáveis curvas delineadas - estou ainda mais pálida e magra. Não que eu esteja sendo dramática ou coisa assim... Eu juro que tentei por garganta abaixo, mas tudo insiste em voltar. Olha, sente alguma semelhança nisso? É, eu não lhe contaria isso se não quisesse chegar nesse ponto.
Então eu continuo tentando encontrar uma forma de remover essas garras que eu mesma cravei em mim. E calma, não vai demorar, eu prometo. Logo se verás livre. E eu também. Ainda estou pensando... 
Enquanto penso, posso te contar como tem sido? Primeiramente, não se sinta culpado, (sei dessa sua mania) porque fui eu que me submeti à isso. E segundo, você vai rir.
No sábado seguinte ao nosso último encontro, embora eu ainda não acreditasse que nossa relação pudesse ter se tornado tão fria e entediante (sabe como a real demora a cair pra mim: como uma mãe que vai dando uma sopa ao filho, colherzinha por colherzinha, ao passo que ele a enrola), eu sabia que tinha que ir pra algum lugar, fazer algo. Confusa assim, saí. Entrei naquele bar que fica a menos de cem metros de sua casa, famoso pelas confusões e baixarias que rolam por lá. Alguns marmanjos enchiam a cara pra comemorar um gol, foi nesse instante que entrei sem sequer olhar pro seu portão. Pedi um copo e nele coloquei cerveja da garrafa de um dos caras, dois deles me olharam sem entender. E também fingi que não estava entendendo nada. Outro gol. Pulei, gritei. Logo me tiraram de lá... Time errado. Time errado, porra. Fui para casa. Novamente não olhei pro seu portão. Nesse dia eu dormi, nos seguintes não. 
Paro agora de contar minha façanha, já deve ser o suficiente. Acabo de receber a notícia que o removerá de minh'alma. Vou-me embora, passei naquele vestibular. O do Sul. Bem longe. Num instante começo a arrumar as malas, você não entra na bagagem. Eu deveria estar feliz, não é? Quer dizer, eu estou. Estou sim. Não apareça pra explicar nada. Eu ficarei bem e não tenho dúvidas de que você também. Não se esqueça de que faço isso por sublime amor. 


De sua mais doente paixão, eu.


6 de janeiro de 2012

O equivalente

O silencioso passar das horas nos consome. O batucar da caneta em uma coisa qualquer. O tempo é irreversível, vocês sabem. Não adianta. Aí você diz: "É, não mesmo." e não entende aonde eu quero chegar, nem de onde desejo sair. Mas logo que eu disse isso você já entendeu, no entanto nada fez. Aí você pensa "ah sim, é pr' eu levantar daqui e lançar-me à vida?". Não exatamente; é mais complexo, só que básico. Termos difíceis à parte: viva o dobro do quanto morre.

2 de dezembro de 2011

A moça

Quando ela chegou, eu devia ter uns onze anos e Carol uns nove. Ficamos acanhadas de início, mas queríamos mostrar-lhe toda a casa e onde ficava cada coisa. Era uma moça simples da zona rural de uma cidade próxima, foi o que ficamos sabendo. Negra, de baixa estatura, não devia ter mais que vinte anos. Bonita a danada. Gente fina nas primeiras observações. Sorria com tamanha facilidade; com qualquer coisa mesmo. Era toda bobinha, engraçada ela. Acho que nunca tinha visto um computador, apesar de saber que existia. Certa vez, numa das nossas viagens, ela experimentou o elevador. Ficou nervosa, tonta, cheia de piriri. Não queria saber de elevador, só de escada. Ah sim, e a escada rolante? Ficou apaixonada. E depois ela se acostumou com o elevador também, não queria mais escada. Uma moça boa, trabalhadeira, confiável – minha mãe dizia. E era mesmo, não se cansava não, mas reclamava mais que minha avó nos dias de bagunça.
Chamava-se Elizabete. Elizabete de Jesus. E, ao contrário do que eu pensava, tinha mais de vinte anos, mas não aparentava não. Virou uma pessoa da família de tanto tempo que passou com a gente. Na cozinha não era lá essas coisas toda, mas, vez ou outra, inventava umas “artes” que saiam bem gostosas. Foi ficando moderna, vivia inventando modelos de roupa e me pedia pra dar uma olhada em uns na internet. Tinha um sonho: seria costureira.
Um dia eu estava pela rua e vi num poste um cartaz anunciando um curso de costura. Anotei o número e passei pra ela. Animou-se toda. Foi lá, se inscreveu, começou. De início eu não colocava muita fé não porque era desastrada a doidinha. Mas em menos de um mês já estava “craque”, cheia de planos e fazendo uma roupa atrás da outra com um capricho pros deuses. Determinada, arteira, cheia de aspirações; por isso meu pai e minha mãe fizeram uma vaquinha e compraram-lhe uma máquina. Aí pronto, começou a se achar a estilista. Costurava pra todo mundo aqui em casa e pra as amigas. Um sucesso. Depois de um tempinho começou com um papo de que ia trabalhar em fábrica. E lá foi ela, mudar de vida.

Texto para a 166ª semana do Blorkutando.

29 de novembro de 2011

Deixa-me com o controle – que é minha vez.
Dá um play nessa nossa história,
Pois na pausa eu senti que tu eras pra mim como eu era pra ti.
Deixa-me ser a moça que briga com você pra não levantar da cama e apagar a luz.
Deixa eu ser a maluca que te diz coisas sem nexo e morre de rir logo depois.
Deixa-me desatar os nós do seu tênis sujinho. Eu tiro as meias também.
E eu prometo não gastar seu perfume importado e não mexer nos seus papéis.
Oh, é que ninguém fica tão bonitinho quanto você de risca de giz.
E ninguém me endoidece tão bem, meu bem, quanto você.

Tá esperando o que pra dar o play?

18 de novembro de 2011

Mulher X Bandido

Eu fiz cócegas no perigo
e fui ter contigo
aquele papo de libido.

Para!

Eu não te disse adeus, 
nem te preservei só pra voltar. 
Eu deixei quietinho por uns instantes. 
            Só.
E não chora não, viu?
Que toda lágrima é boba
perto da saudade que eu senti.

7 de novembro de 2011

Me dê 5 minutos

E se eu me exceder,
vai ter o que?
Espera, onde é que eu estava?

Inspirado na palestrante Ana Lúcia Miranda.

6 de novembro de 2011

É uma felicidade que agita, mas logo em seguida me faz abaixar a cabeça.

27 de outubro de 2011

25 de outubro de 2011

Minha transparência, na verdade, tem muito a esconder.

Difusão

Você ama alto e eu no mudo. 
Você é exibição e eu?
Oculto.

Um jeito incrível de das coisas falar...

É a minha própria necessidade de dizer algo que me cala. Antes sem graça pelo silêncio do que por dizer bobagens.


Cresci e sinto isso lá no fundo do meu ser. Há inúmeras coisas a evoluir ainda, mas já sei que cheguei ao alicerce do que eu quero levar adiante. Sou o sorriso despertado em alguém que gosto, os planos que criei pra a vida, os sonhos e pesadelos que me alimentam e atormentam, sou também a cama bagunçada e o guarda roupas desmoronando, sou aquela bebida alcoólica que me ofereceram e gostei, sou as frases que vi em filmes e repeti, os animais que criei, as más notas que tirei, sou as letras das músicas que ouço, as desobediências, as coleções patéticas, as incertezas e ciúmes contidos, sou os meus esquecimentos e saudades e superações e desejos, sou aquela receita que não deu certo e gerou uma repercussão em casa e entre os amigos, sou as coisas diabólicas que as pessoas pensam sobre mim, sou a minha mania de diminutivo, o perfume de sempre, tudo o que experimentei, os segredos guardados, sou a solidão e dor que desaba no travesseiro à noite, os livros que leio, as tentativas de aprender a dançar e tocar algum instrumento, os trocadilhos bobos que faço, os perigos que corri, as esquisitices, o batom borrado, a vítima da odaxelagnia das pessoas, os amores incertos e as histórias de como me fodi com eles, sou o lápis preto que quer confirmar tudo acima.
“Ah se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar… Dizer que aprendi.” (Tim Maia)
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