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17 de abril de 2013

Alice é o enigma


Alice deparou-se com duas portas em seu caminho. Confusa, ela pôs a mão no queixo  que era como costumava fazer quando tinha que pensar ,  ao ouvir indeterminadas vozes ecoantes.

–  Se fores sábia, entrará pela direita!
–  Se fores madura, entrará pela esquerda!

Nossa pequena, perdida nos seus conflitos interiores, sofria de atelofobia. No mundo dos grandes, todos lhe diziam que ela era desastrada e quase nunca conseguia fazer algo bom, muito bom. Geralmente, as pessoas de lá lhe ditavam o que era mais sensato fazer. Nesse momento, sentia-se numa brincadeira de cabo de guerra. Não porque se considerava sábia ou madura, muito pelo contrário! Estava longe de Alice se sentir uma das duas coisas. Parada estava, parada continuou.

Como as sugestões das vozes divergiam, tudo ficara ainda mais confuso. Alice então sentou e chorou muito. Lá pelas tantas, quando as lágrimas cessaram e o seu rosto já estava agora bem inchado, tornou a olhar para as portas e disse para si mesma "Decido-me a tomar uma decisão!".

E assim se pôs de pé e logo em seguida começou a fazer inferimentos bastante convenientes. "Se eu não for sábia nem madura, a porta não se abrirá". "Antes de tudo, acredito que seria bastante inteligente da minha parte olhar pela fechadura o que me aguarda do outro lado".

Tal como disse, foi lá e fez! Contudo, não enxergava mais que escuridão absoluta enquanto espremia os olhos para ver o que quer que fosse através da fresta. Parou outro instante e pensou  "Como é que abrirei uma porta se nem mesmo tenho a chave?".

Uma voz ecoou novamente.

- A chave é você, menina burra!

4 de junho de 2012

Com destino à...



De repente nos pegamos em latência. Não exatamente sentados, mas aguardando sem pressa. O mar não está pra peixe, mas as ondas têm sido tão deliciosas que você se deixou levar e demorou pra perceber que há muito alguém ocupou o “motor” do seu corpo. E, embora você tenha tomado um susto ao constatar, um bico característico de “tanto faz” se formou em sua face. A felicidade dos últimos dias foi compartilhada com quem estava presente e se não foi notada ausência nenhuma é porque realmente não faltou nada. As noites de sono foram melhores porque você não teve de ficar virando de um lado para o outro remoendo histórias, conversas... Tudo está tranquilo por agora. É uma fase de latência até que alguém/algo saia detrás do arbusto lá no fundo do cenário e te pegue inesperadamente. Nossas preocupações mudaram, a relevância das coisas se inverteu. É arriscado amar. O que vai definir o seu destino é o que importa. Remar contra a maré, ir adiante. Mesmo latente. Mesmo sem motor. Os fantasmas e criaturas que inventaram para minha jornada serão golpeados com miopia. E os seus?

28 de fevereiro de 2012

O risco de viver

Os nossos pés estão sobre os nossos próprios jugos.
Você caminha, pisando sobre uma terra movediça. Ao mesmo tempo que traz um chão, não te deixa segura se poderá permanecer ali, e tateia em circulo, atrás de uma realidade sólida. 
Os meus, são pés de Dédalo, que me permitem o risco de vivero mais bonito da vida.
Corre o risco de perder o chão e ganhar o infinito de nós?
O risco de voarmos tão alto, a ponto de nos aproximarmos, por demais, do sol!?
E se as asas de cera derreterem e cairmos daquela altura, qual o problema!?
A vida já é mesmo uma queda que atravessa!
Pelo menos sentiremos o vento no rosto e experimentaremos o observar o mundo a dois, de um prisma que só os que se acreditam juntos, podem ver.

Luís Kiari

Extraído daqui

6 de janeiro de 2012

O equivalente

O silencioso passar das horas nos consome. O batucar da caneta em uma coisa qualquer. O tempo é irreversível, vocês sabem. Não adianta. Aí você diz: "É, não mesmo." e não entende aonde eu quero chegar, nem de onde desejo sair. Mas logo que eu disse isso você já entendeu, no entanto nada fez. Aí você pensa "ah sim, é pr' eu levantar daqui e lançar-me à vida?". Não exatamente; é mais complexo, só que básico. Termos difíceis à parte: viva o dobro do quanto morre.

25 de outubro de 2011

É a minha própria necessidade de dizer algo que me cala. Antes sem graça pelo silêncio do que por dizer bobagens.
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