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29 de outubro de 2014

Diário de Classe: Você lembra de Isadora Faber?

Isadora Faber é aquela garotinha que em dois mil e doze, com apenas 13 anos, conseguiu mudar a própria realidade e a de muitos colegas ao criar a página Diário de Classe, na qual denunciava a precariedade da estrutura e da educação de sua escola. Mas se você ainda não lembra, tudo bem, clique aqui.


Indignada com a situação, Isadora resolveu postar fotos, vídeos e relatos diários da condição a que ela e outros alunos estavam condenados. Ventiladores quebrados, fios desencapados, maçanetas quebradas ou inexistentes, professores que não dão aula ou que fingem que dão aula, lâmpadas queimadas, vasos sanitários sem tampa, dentre outros inúmeros problemas. Ela sabia que só porque a escola é pública não significa que deve ser ruim e que não se pode reclamar porque, afinal, é de graça. Não! Isadora deu um basta e resolveu fazer alguma coisa.

No livro "Diário de Classe, a verdade", lançado esse ano, ela conta as principais dificuldades em dar continuidade a esse projeto. Sofreu ameaças e represálias de funcionários, professores, colegas, mas mesmo assim não desistiu. Ao longo dessa jornada, que é toda detalhada no livro, ela conta — e podemos ver através das postagens  como tudo vai mudando e avançando, até mesmo a sua forma de escrever. O apoio dos pais e das irmãs foi fundamental para que ela se sentisse segura para continuar e melhorasse a escrita.

Foto do meu instagram: @hilzadeoliveira
Aos poucos a sua atitude foi ganhando repercussão nacional e internacional na mídia, o que inspirou a criação de outros tantos diários de classe por aí. Hoje a página conta com mais de 635 mil curtidores e ainda é liderada por Isadora, que aliás anda palestrando por todo o país em busca de uma educação pública de qualidade. Essa menina deu ao mundo uma aula de jornalismo comunitário, é um exemplo a ser seguido!

O tema do livro me chamou muita atenção porque tinha curiosidade em saber qual a origem do problema das escolas públicas brasileiras, acabei por descobrir que são inúmeros e não é só culpa do governo federal. Como bem disse um moço outro dia, os professores estão nos deixando cada vez mais mestres do autodidatismo; os alunos não são incentivados a preservar o bem público; em muitas cidades os prefeitos são corruptos e os secretários de educação são analfabetos funcionais; até 2007 existia uma lei em que era proibido reprovar alunos do ensino fundamental!


Resenha Diário de Classe - Isadora Faber
 O livro é um lançamento da Editora Gutenberg. O Pavablog me cedeu um exemplar para ser resenhado. Eis os dados: 

  Diário de Classe, a verdade
  Editora: Gutenberg
  Páginas: 272
  Preço: 34,90
  Se gostou e deseja comprar, clique aqui.



 Com essa resenha, celebro o DIA NACIONAL DO LIVRO, que nos transmite conhecimento, senso crítico, prazer e cultura. Leia livros!

7 de outubro de 2013

De volta aos Quinze, Bruna Vieira

Talita Neres

Já pensou em como seria a sua vida se você pudesse voltar no tempo? Acho que todo mundo já pensou em voltar no tempo alguma vez, seja pra viver algo novamente ou pra mudar algumas coisinhas. 

No livro, Anita é uma moça de 30 anos que tem uma vida monótoma e totalmente diferente do que ela tinha sonhado. Ela é pressionada e julgada pelas pessoas ao redor por ter se tornado uma mulher tão frustrada. Mas, de repente, uma amiga lhe envia um e-mail com o link de um blog antigo e de repente... De volta aos quinze, mas com a cabeça de 30 e a oportunidade de refazer a vida. 


"De Volta Aos Quinze" faz parte de uma trilogia que, se você adora romances românticos, muito provavelmente vai ficar ansioso e com vontade de saber o que vai acontecer na sequência. O livro é voltado para o público adolescente, mas é impossível não se apaixonar. E de verdade, você terá a sensação de estar voltando aos quinze, aquela história de primeiro amor, paixão pelo melhor amigo, a viagem dos sonhos e alguns erros comuns da adolescência. 


A linguagem do livro é bem simples, as letras são numa fonte com tamanho agradável para ler. A história é tão envolvente que dá vontade de ficar lendo sem parar nenhum instante, tanto que li tudo em apenas um dia. Cheio de ilustrações fofas e aquelas playlists que você vai (com certeza) pesquisar depois. "De Volta Aos Quinze" mal chegou às livrarias e já está na listas de livros mais vendidos, por um simples motivo: é muito gostoso de ler!


"Passamos a vida inteira assim, nos adaptando ao mundo. Acumulamos pessoas e histórias que um dia vamos contar para alguém. Mas, e se, por um segundo, pudéssemos fazer o caminho inverso? Ler nossa própria história e escrevê-la novamente? Ontem, com a cabeça de hoje. Será que isso resolveria? Seria essa a fórmula da felicidade? A solução de todos os nossos problemas?"

18 de setembro de 2013

O diário de Anne Frank X O diário de Helga

Se você já leu "O diário de Anne Frank" e gostou, chegou a hora de conhecer "O diário de Helga"


Bom, "O diário de Helga" remete-nos automaticamente ao diário de Anne Frank não só pelo título, mas também pela temática. Não quero trair nenhum dos livros ao dizer que um é superior ao outro. 

Em Anne, eu pude notar o quanto foi difícil se manter escondida, conviver com pessoas egoístas, não poder estudar e levar uma vida normal e digna como qualquer ser humano. Helga, por outro lado, me abriu ainda mais os olhos para as limitações e humilhações as quais os judeus foram submetidos, de como foram forçados àquilo e de como eles se resignaram sem demonstrar emoções — para não dar aos "alemães puros" o que eles queriam: a tristeza em seus olhos. Helga me trouxe a realidade de dentro dos campos de concentração: como era a organização, os hábitos alimentares, a proliferação das doenças, as mentiras frequentes sobre "transferências" para outros campos — que geralmente significava o extermínio dos "transferidos".


Além dos relatos diários, existem também muitos desenhos (os dessa postagem são originários da obra) feitos pela própria Helga que enriquecem a história e ajudam o imaginário na visualização do ambiente descrito.

É um livro que, pelos seus relatos, implora que histórias como a dessa menina não se repitam. O legado desse regime que desconhece o respeito ao próximo, o direito à vida, a dignidade em todos os aspectos é nefasto e serve de lição para o futuro. A única crítica é que a editora utilizou-se do diário de Anne para promover o de Helga, o que faz parecer que este último é algo como "mais do mesmo". No entanto, a vida de Helga durante o holocausto é retratada em outro ponto de vista, afinal Anne ficou confinada num esconderijo e Helga nos repugnantes campos de concentração.


Ainda fazendo comparações, digo que "A menina que roubava livros" é uma droga perto dessas narrativas reais, mas não apenas por isso e sim, principalmente, porque a ideia de Zusak foi brilhante, porém muito mal aproveitada. Se você quer conhecer mais sobre como se desenvolveu a política do holocausto sobre os judeus, leia os diários. 


17 de setembro de 2013

Um Dia, de David Nicholls

Diz a tradição popular inglesa que o dia 15 de julho é um mistério. Se chover nesse dia, choverá por mais 40 dias; se não chover, não choverá por 40 dias. Se é verdade eu não sei, mas pelo menos para Dex e Em, 15 de julho é sempre um dia especial.


Emma Morley e Dexter Mayhew se conheceram na formatura da faculdade em 1988. Após passarem apenas uma noite juntos, a vida de ambos nunca mais será a mesma, pois mesmo passando tempos sem se falar, Emma e Dexter não param de pensar um no outro. 

Cada um vai vivendo a vida que nunca sonhou: Dexter ao decorrer do livro vira um beberrão, depois fica famoso; Emma trabalha de garçonete a professora. Os encontros de ambos são sempre engraçadíssimos e cheios de coisas inimagináveis, o livro é sempre uma surpresa, cada 15 de julho é único. 


Prepare-se para viajar pela Europa na década de 90 e, se você lê no metrô ou no ônibus, tente controlar as risadas e as lágrimas. Eu não sei vocês, mas sempre me envolvo com a história e me emociono muito! (Ou seja, eu fico rindo horrores e chorando por qualquer coisa).
Eu confesso que demorei um pouquinho para ler, mas conforme as coisas foram se "encaixando", fui sendo envolvida pela história. O David Nicholls soube escrever um romance moderno e real. 

O livro recebeu uma ótima crítica por toda Europa e foi sucesso de vendas, o que levou a produzirem um filme estrelado pela lindíssima Anne Hathaway e pelo Jim Sturgess, fazendo o livro mais famoso ainda.


Vocês já leram? O que acharam? Críticas e sugestões, deixem comentários. 

Talita Neres é a nova colaboradora do Espelho. 
Ela tem 17 anos, mora em Brasília 
e é amante da literatura e da fotografia.

14 de fevereiro de 2013

O diário de Anne Frank

4/5

-------------------> Conteúdo com spoiler <-------------------
Quase sempre aproveito para ler nas férias. E já que estas parecem ilimitadas por tempo indeterminado agora que terminei o ensino médio, acelerei a minha meta.
Um dos livros lidos foi "O diário de Anne Frank". Tenho postado inúmeros trechos dele na minha página do Facebook, como já falei aqui.
Estou me adaptando a esta onda de fazer resenhas. Serve para reavaliar e aumentar o meu senso crítico.
Anne sempre foi uma menina agitada e falante, o que muitas vezes enchia a paciência das pessoas. O desafio de viver escondida e limitada foi difícil de ser aceito, mas ela jamais deixou de agradecer e compreender porque tinha que estar ali, no Anexo Secreto.

Ambientado na Holanda, o diário relata não somente os aspectos políticos da invasão alemã, mas também a própria vida de Anne e sua família junto às outras pessoas com quem dividiam o Anexo.
Kitty - este é o nome do diário - é tratada como uma amiga, posto que Anne teve de ser privar do contato com as suas e por admitir que não tinha uma amida de verdade.
Os conflitos com a mãe e o seu romance com Peter dão lugar aos embates internos e nos fazem esquecer, por um momento, de que ela sofre de um problema maior: a guerra.
As passagens em que descreve o tratamento destinado aos judeus me deixaram bastante sensível. A liberdade restrita, as humilhações e a violência, retratam um apartheid muito anterior ao da África, talvez até mais severo.
Que a história de Anne não se repita jamais! Imagine como teria sido bom se ela ficasse viva no pós guerra (Anne morreu num campo de concentração, alguns dias depois de Margot, sua irmã) e pudesse nos contar mais, se tivesse a chance de realizar os seus sonhos.
Essa história triste serve para abrir nossos olhares sobre a crueldade humana e para incentivar as pessoas na luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

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